Médium Divaldo Franco cita maias e fala em transição para mundo melhor
Maior médium em atividade no Brasil deu seminário em Novo Hamburgo.
Em entrevista, baiano falou sobre a vida no mundo dos espíritos.
Roberta Salinet
Da RBS TV
Aos 84 anos, Divaldo Franco é o médium mais respeitado do Brasil.
Conta que se comunica com os espíritos desde a infância, na Bahia. Com
mais de 13 mil conferências no Brasil e no Exterior e centenas de livros
lançados, é considerado hoje o maior divulgador da Doutrina Espírita no
mundo. Divaldo esteve no Rio Grande do Sul para duas palestras e falou
sobre reencarnação, sobre a vida no mundo espiritual e sobre as cidades
espirituais que existem em cima do estado, como mostra a reportagem do
Teledomingo (veja o vídeo).
Sorridente e atencioso, apesar do cansaço, ele falou sobre a vida no
mundo dos espíritos. “Consideremos que a vida na terra é uma cópia
imperfeita da vida no mundo espiritual. Nós temos aqui tudo o que existe
lá, mas nem tudo que existe lá nós temos aqui”, explica.
Confira a íntegra da entrevista concedida pelo médium.
Divaldo Franco participou de seminário em
Novo Hamburgo (Foto: Roberta Salinet/RBS TV)
Pergunta: Divaldo como é a vida no mundo dos espíritos?
Divaldo Franco:
Consideremos que a vida na Terra é uma cópia imperfeita da vida no
mundo espiritual. Nós temos aqui tudo o que existe lá, mas nem tudo que
existe lá temos aqui.
Desta maneira, o mundo de natureza transcendente é aquele que oferece o
material para o mundo da organização física. Existem comunidades,
comunidades modestas, eloquentes, que constituem naturalmente o que
Jesus chamava “as muitas moradas na casa do Pai”.
Pergunta: Nós temos cidades espirituais aqui em cima do Rio Grande do Sul?
Divaldo Franco: Sem
a menor sombra da dúvida. Aqueles pioneiros que vieram para fazer o
progresso de cada comunidade, vieram de núcleos espirituais para onde
retornam. E todo o progresso desse núcleo que está sobre as vibrações
daqueles criadores é programado antes da reencarnação deles. À
semelhança de Nosso Lar, que é uma comunidade sobre a cidade do Rio de
Janeiro, todas as cidades da Terra têm as suas respectivas causas no
mundo espiritual.
ergunta: Então em cima de todas as pequenas e grandes cidades há uma cidade no mundo espiritual?
Divaldo Franco: São
ondas que envolvem essas comunidades como se fossem realizações do
psiquismo divino. Então os espíritos nobres edificam e fazem na Terra
uma espécie de cópia grosseira, porque quando nós vemos uma cidade logo
imaginamos dentro dos nossos padrões materiais. Por falta de palavras
equivalentes, seria definir com palavras conhecidas aquilo que é
desconhecido.
Pergunta: Quando uma pessoa morre, ela logo encontra as pessoas queridas ou nem sempre? Isso depende de como ela se comporta aqui?
Divaldo Franco: Depende
do estágio evolutivo. Quando se trata de espírito nobre, seus mentores e
seus familiares o aguardam da mesma forma que nós esperamos um viajante
querido. Vamos até o local onde ele desembarca para dar a nossa
saudação e as boas-vindas, no mundo espiritual também. Mas a grande
maioria é constituída de pessoas ainda vinculadas aos prazeres
imediatos, então e a morte é uma grande dor, porque é uma cirurgia que
liberta o corpo ou liberta do corpo o espírito e a pessoa. O ser fica
aturdido, muitas vezes se perturba. Se tem vinculações com os espíritos
perversos, entra em estado de profunda angústia e de obsessão.
Pergunta: São esses espíritos que a gente diz que estão por aqui quando se fala que se viu um fantasma ou tem a sensação de energia ruim?
Divaldo Franco: São
espíritos perturbados. Allan Kardec diz que eles ficam em estado de
erraticidade. Eles ficam perambulando de um lado para outro sem uma
pousada fixa porque ainda não têm idéia do que lhes aconteceu. Por
consequência, eles vagueiam, atônitos, até o dia em que a misericórdia
divina faz com que reencarnem. Assim, os levam por misericórdia para
verdadeiros redutos de caridade e compaixão.
Pergunta: O que é reencarnação? Todos nós voltamos, não voltamos?
Divaldo Franco:
Todos. A única exceção é Jesus Cristo. Jesus Cristo não reencarnou, ele
encarnou, porque é o ser mais perfeito que Deus nos ofereceu para nos
servir de modelo e guia. Ele prometeu mandar o consolador, que era sua
volta. Foram os espíritos enobrecidos que vieram à Terra trazer uma nova
luz, uma luz peregrina de amor. Mas todos nós voltamos ao vasilhame
carnal como alunos dentro de uma escola. Etapa a etapa, vão evoluindo.
Quando não agem bem, eles retornam para repetir a experiência. São as
provações e as expiações. As provações são testes, as expiações são
imposições para a evolução.
Pergunta: Eles voltam sempre com a família, com os amigos? Por que às vezes a gente tem a impressão de que já conhece uma pessoa?
Divaldo Franco: Porque
estivemos vinculados em vidas anteriores. É o que a psicologia chama
déjà vu, déjà senti ou déjà reconté. O já visto, já ouvido, já sentido.
Olhamos uma pessoa que nos é tão familiar e dizemos "eu conheço". E,
realmente, quando dialogamos a conhecemos. Então existem encontros que
são reencontros, mas existem reencontros que são verdadeiros
desencontros.
Pergunta: E a mediunidade, Divaldo? Todos somos médiuns?
Divaldo Franco: Allan
Kardec no "Livro dos Médiuns" diz textualmente: todo aquele que sente
em determinado grau a presença dos espíritos é médium. Todos nós
sentimos, temos percepções, intuições, temos sonhos premonitórios. Temos
várias manifestações psíquicas e paranormais que são manifestações
mediúnicas. O que nós fazemos com a inteligência? Há um programa
psicológico e pedagógico para desenvolver nossas habilidades
intelectuais, para desenvolver a memória, para poder aprofundar as
aptidões artísticas e culturais. A mediunidade também exige uma série de
fatores para que possamos inicialmente aprender a fazer silêncio
interior, depois acalmar as nossas angústias e sintonizar com o mundo
espiritual através da decodificação, pela glândula pineal, das glândulas
vibratórias. É como acontece com as ondas hertz que as antenas captam,
decodificam e nos dão imagens visuais e sonoras.
Pergunta: Divaldo, todos nós temos um anjo da guarda?
Divaldo Franco:
Sem dúvida. O que seria de nós sem esses espíritos gentis que nos
conduzem toda a vida? O anjo da guarda, o guia espiritual, nosso menor,
são espíritos nobres que apadrinham o nosso processo evolutivo e que nos
ajudam no transcurso da evolução.
Pergunta: E como podemos falar com eles?
Divaldo Franco: Mentalmente.
Jesus nos deu o melhor método. Através do silêncio interior, orando a
Deus, nós entramos em contato com esses espíritos. A técnica é esta:
fala a criatura ao criador através da oração. Responde o criador à
criatura pela inspiração e ajuda o criador a outra criatura
utilizando-se do próximo.
Pergunta: E Joanna de Angelis
(guia espiritual de Divaldo)?
Divaldo Franco: Ela
é uma amiga generosa há muitos anos. Quando eu era criança, sempre via
uma claridade ao meu lado, mas não tinha idéia. Escutava uma dúlcida
voz. À medida que os anos passaram eu perguntei, mas de quem se trata?
"Um espírito amigo", me respondeu. Eu fiquei tão frustrado. Mais tarde
me tornei espírita e aquela doce voz me disse: "Sou um espírito amigo".
Eu perguntei o nome. "Para quê? O importante é o afeto e não o nome de
quem é afetivo", respondeu. Eu perguntei quem era meu guia espiritual e
ela me disse: "Teu guia espiritual é Jesus".
Na minha infância, na minha juventude, na minha ignorância , eu queria
um guia para mim, Jesus é de todos. Ela disse: "No dia em que tu
sintonizares com Jesus, nunca mais dirás uma coisa tão infantil". Só
longamente depois é que ela foi contando dos nossos relacionamentos em
existências anteriores, várias vidas. E hoje estamos muito unidos porque
depois de mais de 70 anos de comunhão diária há uma forma de psiquismo,
que interdepende. Há vezes que eu não sei quando é ela e quando sou eu
que penso
Pergunta: Chico Xavier também tinha um mentor,
conhecido como Emmanuel. Chico dizia que quando ele desencarnasse,
Emanuel estaria na Terra, provavelmente no Brasil. Emmanuel já renasceu?
Divaldo Franco: Antes de Chico desencarnar
(em 2002),
reencarnou Emmanuel, em 2000. Chico foi desdobrado psiquicamente para
ver o momento da fecundação do óvulo e a ligação de Emmanuel, que
estaria reencarnado, sim, no Brasil com a grande missão educativa.
Porque a educação é o instrumento de salvação da humanidade. Allan
Kardec diz que “a educação é o maior antídoto ao materialismo e a
crueldade”. Mas não só a educação que se adquire pelos livros, também a
que tem relação aos valores éticos morais da humanidade
Pergunta: Tem gente que tem medo que o mundo acabe em 2012. O que vai acontecer de fato?
Divaldo Franco: Já
estamos na grande transição planetária. Allan Kardec faz abordagem no
livro "A Gênese" e fala sobre a nova era. Todas as doutrinas falam de um
mundo melhor. É certo que o mundo se acabará do mal. O mal que vige
cederá lugar ao bem e o calendário maia fala exatamente isso. Então
espíritos nobres, de outra dimensão, que nós chamaremos seres angélicos,
encarnarão na Terra e os maus não terão chances de continuar. Eles irão
para mundos inferiores transitoriamente, porque Deus não castiga.
Quando eles evoluírem, vão alcançar uma terra melhor. O porvir é
abençoado. Hoje é um mundo de provas e xpiações, o do futuro é um mundo
de regeneração